Quiz de revisão em 5 minutos com IA (a turma acorda sem pagar nada)
Dez perguntas de múltipla escolha com distratores que enganam de verdade, em três versões: impressa, projetada e no celular dos alunos. Dois comandos e um ajuste.
Neste texto
Quinta, 10h20, 7º ano B da manhã. Última aula antes do recreio, revisão de advérbio pra prova de segunda. Eu na frente, explicando pela terceira vez a diferença entre advérbio e adjetivo. Atrás, o Kauã deitado na carteira, a Larissa desenhando, e o resto olhando pra janela. Vinte e seis anos de sala e ainda dói ver isso.
Aí eu disse: “quem acertar mais, sai cinco minutos antes pro recreio”. A sala virou outra. Eu tinha sete perguntas rabiscadas no caderno, feitas no corredor. Acabaram em 4 minutos e a turma pediu mais. Não tinha mais.
Gente, olha só: essa turma não acorda com explicação. Acorda com placar. Hoje eu chego com dez perguntas, gabarito e as alternativas erradas bem feitas — e gasto 5 minutos pra montar, não a noite anterior.
Neste texto você vai sair sabendo: gerar um quiz de múltipla escolha com alternativas erradas que parecem certas (é aí que a revisão acontece); imprimir em meia folha, projetar ou mandar pro celular dos alunos; e a regra de jogo que segura a turma sem virar bagunça.
O que você precisa
- Conta grátis no ChatGPT. O plano pago (ChatGPT Go, R$ 39,99 por mês em agosto de 2026) não muda nada aqui.
- O conteúdo da revisão em duas linhas: o tema e o que caiu na aula. Não precisa colar o plano inteiro.
- Pra versão projetada: Gamma ou Canva, os dois grátis. Pra versão impressa: só a xerox da escola.
- Celular serve pra tudo. Na escola pública da manhã, onde a internet cai quando chove, eu uso a versão impressa e placas de papel. Explico no passo 3.
Passo 1 — Peça as perguntas com distrator que engana
Um quiz onde a resposta certa é a única alternativa que faz sentido não revisa nada: o aluno acerta por eliminação. O segredo está no comando: peça que cada alternativa errada seja um erro que aluno de verdade comete. Isso muda tudo.
Crie um quiz de revisão com [10] perguntas de múltipla escolha sobre [advérbio: classificação e diferença entre advérbio e adjetivo] para alunos do [7º ano]. Cada pergunta tem 4 alternativas (A, B, C, D) e só uma correta. As três erradas devem ser erros que aluno dessa idade realmente comete — nada de alternativa absurda. Use frases do cotidiano da turma (escola, futebol, celular, família). Vá do mais fácil ao mais difícil. No final, dê o gabarito com uma explicação de uma linha por pergunta. Não use nome de pessoa real.
Ele devolve as dez perguntas numeradas, as alternativas e o gabarito comentado embaixo. Leio uma por uma. Sempre. Leva 2 minutos e é onde eu ganho o quiz.
Na primeira vez pedi só “10 perguntas sobre advérbio” e veio uma alternativa D assim: “advérbio é um tipo de fruta”. O Kauã ri, elimina e acerta sem pensar. Quando escrevi “erros que aluno dessa idade comete”, a alternativa D virou “rápido, na frase ‘ele corre rápido’, é adjetivo” — e metade da sala caiu. Essa é a pergunta que ensina.
Se uma pergunta vier ruim, não refaça o quiz. Mande na mesma conversa: “a pergunta 6 está fácil demais, troque por uma sobre advérbio de intensidade”. Ele troca só aquela.
Passo 2 — Gere as três versões de uma vez
Aqui está o truque que me economiza a noite. Na mesma conversa, peço as três versões prontas. Cada uma tem regra própria e ele já sabe o conteúdo.
Agora organize esse quiz em três versões. 1) VERSÃO IMPRESSA: duas cópias por folha A4, perguntas numeradas, espaço para nome e turma, sem o gabarito. 2) VERSÃO PARA PROJETAR: uma pergunta por tela, título grande, alternativas em linhas separadas, a resposta correta só na tela seguinte. 3) VERSÃO CELULAR: as perguntas no formato de formulário, com a alternativa correta marcada com asterisco para eu montar no Google Forms. Gabarito em separado no final.
Versão impressa. Copio, colo no Word ou no Google Docs, diminuo a fonte pra 11 e cabe duas provas por folha. Na escola pública, 15 folhas dão pra turma inteira em dupla. Uso quando não tem projetor ou quando o projetor “tá com a coordenação”.
Versão projetada. Colo o texto no Gamma ou no Canva, escolho fundo claro, e sai uma pergunta por slide. Já expliquei o caminho inteiro no texto dos slides, então não repito. A resposta na tela seguinte é o que gera o “aaah” da sala.
Versão celular. Abro o Google Forms, crio um formulário, ativo “Transformar em teste” nas configurações, e copio pergunta por pergunta. Leva uns 6 minutos — é a versão mais demorada. Mando o link no grupo da turma, e cada aluno responde do próprio celular. O formulário corrige sozinho e me mostra qual pergunta a turma mais errou.
Fiz a versão celular na particular da tarde, funcionou. Levei pra pública de manhã, quinta chuvosa: 11 alunos sem internet e 4 sem crédito. Ficou meia turma olhando pra tela travada. Voltei pra xerox no dia seguinte e não tenho vergonha de dizer isso. A ferramenta que funciona é a que abre.
Passo 3 — A regra do jogo (é isso que segura a turma)
Quiz sem regra vira gritaria. Depois de algumas tentativas, fixei um formato que funciona nas nove turmas, com ou sem tecnologia.
- Grupos de 4, um nome de time. Grupo grande demais tem quem se esconde. Grupo de 2 briga.
- Placas A, B, C, D. Cada grupo faz quatro placas com folha de caderno dobrada. Eu projeto ou leio a pergunta, dou 30 segundos, e falo “levanta”. Todo mundo ao mesmo tempo, sem tempo de copiar o vizinho.
- Ponto por acerto, ponto extra por explicar. O grupo que acerta e explica por que a alternativa D está errada ganha dois. É aí que a revisão vira aula.
- Placar no quadro, com giz. Não precisa de aplicativo. A turma vê o placar subir e isso basta.
Pra quem quer o quiz com a cara da turma, cole isto antes de gerar as versões:
Reescreva as perguntas usando exemplos de [futebol, música e jogos de celular], mantendo o conteúdo gramatical igual.
Uma vez deixei a turma escolher o prêmio. Pediram “aula livre”. Não. Prêmio é sair 5 minutos antes, escolher a música do próximo quiz ou ponto no visto do caderno. Competição com prêmio grande vira briga; com prêmio pequeno vira brincadeira.
O resultado
Segunda-feira, prova de advérbio no 7º ano B. Média da turma na prova anterior, sobre substantivo e adjetivo: 5,8. Nessa: 7,1. Não foi só o quiz — mas foi o quiz que fez a Larissa me perguntar, pela primeira vez no ano, “professora, por que o ‘rápido’ é advérbio aqui?“.
Hoje toda aula de revisão minha termina em quiz. Nas turmas de ensino médio uso o mesmo comando, só troco o ano e o tema. E o gabarito comentado serve pra mim: quando a turma inteira erra a pergunta 6, é a aula que eu preciso dar de novo, não o aluno que precisa estudar mais.
26 anos de sala de aula, rede pública de manhã e particular à tarde. Nove turmas. Personagem editorial do forfun.gg — saiba como funciona.
Todos os textos de Denise →Mais de Educação
Atividade adaptada pra TDAH, dislexia e aluno sem português com IA
Três alunos, três dificuldades, uma habilidade. A IA monta três versões da atividade em 8 minutos. O laudo nunca entra na conversa.
Trabalho do aluno foi feito pelo ChatGPT? Como saber sem acusar errado
Um detector marcou 98% de IA numa redação escrita à mão. Quase dei zero. Aqui está o que uso hoje para não acusar aluno errado.
Comunicado pros pais com IA: firme, acolhedor e sem expor o aluno
Bilhete de comportamento que virou briga no grupo de pais. Hoje escrevo em 4 minutos, versão WhatsApp e impressa, e a mãe agradece.