Cardápio da semana e lista do mercado com IA por R$ 318 (3 comandos)
Três comandos para copiar e colar. No fim, você sai com o cardápio de 7 dias e a lista de compras — sem repetir frango quatro vezes.
Neste texto
Domingo, 21h. A Cláudia olhou pra geladeira, olhou pra mim e fez a pergunta que eu ouço há 20 anos: “o que a gente come essa semana?”. Rapaz, eu sou analista contábil. Vivo de planilha. E mesmo assim nunca tinha conseguido responder isso sem sofrer.
O ritual era sempre o mesmo. Segunda-feira a gente decidia na hora, terça pedia marmita, quarta sobrava arroz, quinta o Léo reclamava que “de novo frango?” e sexta a gente ia no mercado sem lista, comprando o que dava na telha. No fim do mês, quando eu somava os cupons — porque eu somo os cupons, sou desse tipo —, o mercado passava de R$ 400 fácil. E ainda jogava comida fora.
Dessa vez eu tinha a resposta pronta. Levei 6 minutos. E o mercado fechou em R$ 318,40.
Neste texto você vai sair sabendo: montar um cardápio de 7 dias que respeita o seu orçamento; gerar a lista de compras já separada por corredor do mercado; e ajustar em uma frase quando alguém da casa não come alguma coisa.
O que você precisa
- Celular ou computador — serve qualquer um. Eu fiz no notebook porque gosto de ver a tabela inteira, mas a Cláudia refez no celular sem problema.
- Conta grátis no ChatGPT. Não precisa pagar nada.
- 6 minutos. Cronometrei, porque sou chato assim.
- Um número: quanto você pode gastar no mercado por semana. Se não sabe, chuta alto e depois ajusta. Eu sabia porque tinha acabado de organizar as contas da casa.
Passo 1 — Diga quem come e quanto pode gastar
Abra o ChatGPT e cole o comando abaixo. Troque o que está entre colchetes pelo seu caso: quantas pessoas, quem são, quanto pode gastar. Eu coloquei R$ 350 porque é o que sobra pra mercado depois das contas fixas.
Monte um cardápio pra semana pra [4 pessoas: 2 adultos, 1 adolescente e 1 criança], almoço e jantar, gastando no máximo [R$ 350] no mercado. Comida simples de casa, brasileira. Não repita a mesma proteína dois dias seguidos. Aproveite sobras: o que sobrar do almoço vira base do jantar. No final, some o custo estimado.
O que ele devolve é uma tabela de segunda a domingo, almoço e jantar, com o custo estimado no rodapé. No meu caso: R$ 318,40. Abaixo do limite, e com carne moída na terça, frango na segunda e quinta, ovo na quarta, peixe de lata no sábado. Coisa de casa mesmo.
Na primeira vez esqueci de falar “não repita a proteína” e ele me deu frango em quatro dias. Foi a Bia que reclamou, olhando por cima do meu ombro: “pai, de novo frango?”. Coloquei a frase e resolveu.
Repare em dois detalhes do comando que fazem diferença. “Comida simples de casa, brasileira” evita que ele sugira salmão com aspargos numa terça-feira. E “aproveite sobras” é o que segura o custo: o arroz de segunda vira o arroz de forno de terça, e o frango desfiado de quinta vira recheio de sexta.
Se o valor passar do seu limite, não refaça nada. Só mande: “passou R$ 40, tira o item mais caro e substitui por algo mais barato”. Ele refaz a conta.
Passo 2 — Peça a lista de compras por corredor
Na mesma conversa — isso é importante, não abra outra —, cole o segundo comando. O truque é pedir “por corredor”: você anda menos no mercado, não volta pro hortifruti três vezes e não esquece nada.
Agora monte a lista de compras desse cardápio, separada por corredor do mercado (hortifruti, açougue, mercearia, laticínios, padaria, limpeza), com quantidades. Considere que eu já tenho em casa: [arroz, feijão, óleo, sal, temperos]. Some o valor estimado no final.
A parte “já tenho em casa” é onde a maioria economiza de verdade. Na primeira semana eu não coloquei, e ele mandou comprar 2 kg de arroz que eu já tinha no armário. Desde então a Cláudia abre a despensa, eu dito o que tem, e a lista sai enxuta.
Ele estimou o tomate a R$ 6 o quilo. No mercado aqui estava R$ 9. Ou seja: os preços dele são chute educado, servem pra dar ordem de grandeza. O total real bateu R$ 318,40 contra R$ 305 estimados — diferença de 4 %, que pra mim, que vivo de conferir número, é aceitável.
Mando a lista pro WhatsApp da Cláudia e pronto. Ela vai marcando no celular conforme põe no carrinho. Quarenta minutos de mercado, contra a hora e meia de antes.
Passo 3 — Ajuste pra sua casa
O Léo não come couve. A Bia não come peixe. A Cláudia está evitando fritura. Toda casa tem isso — e é aqui que a maioria desiste, porque acha que precisa refazer tudo. Não precisa. É uma frase.
Troque a [couve] da [quarta] por algo que [adolescente] coma, mantendo o mesmo custo. Atualize a lista de compras.
Ele troca só aquela linha, recalcula o total e reescreve a lista. Dá pra fazer isso quantas vezes quiser, na mesma conversa. Eu faço em geral duas ou três trocas por semana.
Numa semana pedi pra “deixar o cardápio mais saudável” sem dizer o que era saudável pra mim. Ele tirou o arroz e pôs quinoa. Quinoa, na minha cidade, é R$ 40 o quilo e ninguém em casa come. Aprendi: seja específico. “Menos fritura e mais legume” funciona; “mais saudável” é convite pra quinoa.
Outro ajuste útil, pra quem tem semana corrida: “marque com um asterisco os pratos que dá pra fazer em 20 minutos”. Ele marca, e você sabe o que fazer na terça quando chega tarde.
O resultado
Cardápio impresso na porta da geladeira (sim, impresso — a Cláudia gosta assim), lista no celular dela, mercado feito em 40 minutos. E a pergunta de domingo à noite, que durou 20 anos de casamento, simplesmente sumiu.
Faço isso todo domingo à noite agora, depois do jornal. Já são três meses. A média do mercado ficou em R$ 330 por semana — uns R$ 300 a menos por mês do que antes, sem ninguém passar vontade. E o que sobrou foi pro orçamento da casa, que é outro texto.
Analista contábil, casado com a Cláudia, pai do Léo e da Bia. Usa IA pra tudo que é chato em casa. Personagem editorial do forfun.gg — saiba como funciona.
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